Caçambeiros reclamam de lotação e falta de manutenção em usina de reciclagem em Campinas

Caçambeiros reclamam da dificuldade que enfrentam na usina de reciclagem de Campinas

Caçambeiros reclamam da dificuldade que enfrentam na usina de reciclagem de Campinas

As empresas que recolhem entulhos de construção civil reclamam da falta de manutenção constante da máquina que tritura os resíduos na Usina Recicladora de Materiais (URM) de Campinas (SP), o que atrasa o processo de reciclagem e gera a sobrecarga da usina.

De acordo com os caçambeiros que trabalham na usina, os destroços se acumulam no local por conta da inoperância do triturador, que é antigo. Na sexta-feira (11), a máquina estava parada, mas voltou a funcionar depois que técnicos da prefeitura fizeram manutenção.

De acordo com o presidente da Associação dos Transportadores de Entulhos e Resíduos de São Paulo (Atersp), Gabriel Pedreira, a usina recebe cerca de 600 caçambas com os resíduos por dia, além do entulho gerado por obras municipais, como a do BRT e manutenções da Sociedade de Abastecimento de Água e Saneamento (Sanasa).

Há, ainda, a demanda de locais viciados de descarte de lixo. São pontos em que o despejo de entulho é irregular, mas praticado. A prefeitura limpa esses locais e também encaminha o que é retirado para a usina.

“Nós temos britadores antigos, defasados que não conseguem suprimir a demanda”, afirma Pedreira

Usina de Reciclagem não supri demanda de descarte de resíduos de construção civil, em Campinas (SP). — Foto: Reprodução EPTV Usina de Reciclagem não supri demanda de descarte de resíduos de construção civil, em Campinas (SP). — Foto: Reprodução EPTV

Usina de Reciclagem não supri demanda de descarte de resíduos de construção civil, em Campinas (SP). — Foto: Reprodução EPTV

Além da dificuldade causada pela constante quebra do triturador, os funcionários da usina ainda precisam separar o entulho de outros tipos de lixos que não deveriam ser jogados nas caçambas, como aço, madeira e até animais mortos. Isso também atrasa o processo de reciclagem.

Quando o entulho passa pelo triturador, explica Pedreira, vira matéria-prima para ser reutilizado. O material pode ser usado para operações tapa-buraco, por exemplo.

A Secretaria de Serviços Públicos de Campinas afirma que a área onde fica a usina também tem licença da Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (Cetesb) para funcionar como Aterro de inertes.

Pedreira estima que, se não houver mudança na política de gestão desses resíduos, até o final de 2019 a usina estará superlotada e Campinas ficará “sem um local adequado e licenciado por orgão público para descartar os resíduos”.

“É um contrassenso que, em pleno 2019, nós adotemos essa prática de aterramento, quando é um material passivo de se tornar matéria prima novamente. Nós temos que promover a reciclagem, desde papel, papelão até os resíduos de construção civil”, diz Gabriel.

O que diz a Prefeitura?

Segundo a pasta, a responsabilidade da destinação correta dos resíduos é de quem gera, isto é, tanto do dono do imóvel que está em construção ou reforma, quanto das empresas de caçamba.

A multa para quem faz o descarte irregular é de R$ 600. Sobre o equipamento quebrado, a Secretaria de Serviços Públicos disse que o conserto foi feito na sexta-feira (11), mas admitiu que o equipamento é antigo e insuficiente para reciclar todo o material de obras gerado em na cidade.

A secretaria também afirmou que, para a usina não parar, a prefeitura vai abrir licitação no mês de fevereiro para comprar três novos equipamentos, com custo de R$ 6 milhões. A previsão é de que eles sejam entregues em julho.