Campinas teve 32 feminicídios nos últimos 5 anos, aponta boletim

Boletim Sisnov foi divulgado nesta segunda-feira (10) em Campinas

Ao menos 32 mulheres foram mortas em Campinas, com o registro de feminicídio, nos últimos cinco anos, de acordo com o boletim Sisnov (Sistema de Notificação de Violências), da Prefeitura de Campinas. O relatório de 2018 foi divulgado nesta segunda-feira (10), e destacou pela primeira vez o feminicídio, crime de ódio baseado no gênero.

Do total de mortes registradas como feminicídio e relatadas à Secretaria de Saúde de Campinas, 12 correspondem à violência física, cinco à violência sexual e cinco à violência psicológica. Os outros dez casos não tiveram as causas esclarecidas.

Além do número de feminicídios, o Sisnov traz o número de 2.360 mulheres que sofreram algum tipo de violência entre 2013 e 2017 (período levantado) em Campinas.

Entre as vítimas de violência nesse período, foram identificados 801 casos praticados pelo marido ou namorado – 61%. A maior parte (83%) relata o espancamento como principal forma de agressão. Em seguida vem a ameaça (33%), seguida de enforcamento (11%).

A maior parte das mulheres cujo registro de violência aparecem no boletim Sisnov têm entre 20 a 59 anos. A maior parte delas (com 188 casos) ocorreu na região noroeste da cidade, onde estão os distritos do Campo Grande e Ouro Verde.

OS CASOS

Os dois casos mais recentes de feminicídio na cidade ocorreram em outubro, em um intervalo de menos de um dia.

O primeiro ocorreu no dia 13 de outubro, quando o sargento da Polícia Militar do 8º Batalhão de Campinas Ricardo Luiz de Sá, 34 anos, estrangulou sua ex-mulher, Fernanda Martins da Costa Sá, 33, e se matou em seguida no Jardim Esperança, em Campinas.

O segundo caso foi no dia 14, quando Camila Souza, de 24 anos, foi morta em sua casa, na Vila Georgina, em Campinas. Ela foi atingida por uma facada no peito – o principal suspeito era o namorado dela.