Shell e Basf não reconhecem mortes como resultado da contaminação

As empresas Shell e Basf não reconhecem as mortes de mais de 60 trabalhadores por câncer como resultantes da contaminação que sofreram em decorrência do trabalho exercido. A informação foi passada por meio da assessoria de imprensa das empresas em resposta à reportagem “O medo não te deixa caminhar”, publicada no último domingo pelo LIBERAL. Tanto o Ministério Público do Trabalho quanto a Justiça reconhecem o nexo causal entre as contaminações e as mortes.

A matéria abordou, junto à presidente do Centro Infantil Boldrini, a médica Silvia Brandalise, a doação de mais de R$ 40 milhões para construção do Centro de Pesquisa da instituição. O dinheiro foi entregue pelo Ministério Público do Trabalho e é proveniente do acordo histórico com as empresas. Elas pagaram R$ 230 milhões em danos morais coletivos – parte do valor foi destinado ao Boldrini.

“Em relação a ex-funcionários que faleceram no decorrer dessa ação, a empresa não reconhece a ocorrência de óbitos relacionados à atividade laboral exercida nas antigas instalações da Shell em Paulínia. Por mais lamentáveis que sejam, é preciso esclarecer que até o momento não há evidências que liguem a contaminação ambiental às fatalidades”, disseram em nota as empresas.