Soro antiescorpiônico não tem pedidos no 1º mês em Santa Bárbara

O primeiro mês em que o Pronto-Socorro Afonso Ramos, em Santa Bárbara d’Oeste, contou com soro antiescorpiônico não registrou solicitação. Nesse período, o município contabilizou sete acidentes com picadas de escorpiões na cidade. Especialista ouvido pela reportagem explicou que o soro é utilizado somente em casos mais graves ou com manifestações mais intensas de sintomas.

Foto: Divulgação Afonso Ramos passou a contar com o soro no ano passado

O soro antiescorpiônico foi solicitado pela Prefeitura de Santa Bárbara d’Oeste após a morte da menina Maria Eduarda Pigatto, de 10 anos, em novembro. A criança foi picada por um escorpião no Jardim Europa e morreu uma hora e meia depois de dar entrada no Pronto-socorro Edison Mano. O soro não foi aplicado. Até então, a solução era disponibilizada na região apenas pelo Hospital Municipal Dr. Waldemar Tebaldi, em Americana.

Após a morte da menina, familiares e amigos fizeram protestos pedindo que a cidade contasse com o soro. Foi constatado pela reportagem do LIBERAL que, após Maria Eduarda dar entrada na unidade de saúde, demorou-se uma hora para solicitação de soro junto ao Hospital Municipal de Americana.

A Secretaria Estadual de Saúde enviou as ampolas ao município no dia 23 de novembro, após apelo do prefeito Denis Andia (PV). Contudo, a homologação da cidade como um polo de referência foi divulgada apenas no dia 7 de dezembro.

O médico toxicologista e pediatra Fábio Bucaretchi, coordenador do CIATox (Centro de Informação e Assistência Toxicológica de Campinas), da Unicamp (Universidade Estadual de Campinas), entende como um avanço o município ter passado a contar com o soro. Ele defende a presença da solução em todas as cidades.

“Na maioria das vezes, você só vai usar o soro em casos com manifestações exuberantes em crianças ou adultos em estado grave. Ter o soro é importante para uma situação de emergência para dispor do tratamento rapidamente. Contudo, mesmo com o soro, você pode ter caso grave que vai precisar de UTI (Unidade de Terapia Intensiva)”, explicou.

O especialista acredita que o soro não é disponibilizado em todos os municípios pois a quantidade atualmente produzida não seria suficiente.

Hospital é cotado como polo

Na RPT (Região do Polo Têxtil), Sumaré também conta com soro antiescorpiônico, além de Americana e Santa Bárbara d’Oeste. De acordo com Fábio Bucaretchi, coordenador do CIATox (Centro de Informação e Assistência Toxicológica de Campinas), o Hospital Estadual Sumaré recebe doses enviadas pela Unicamp (Universidade Estadual de Campinas), e atualmente estuda-se a possibilidade do local tornar-se um ponto de referência para o soro. A informação não foi confirmada pela Secretaria Estadual de Saúde.

“Como sabemos que há muitos acidentes em Sumaré e há uma boa UTI (Unidade de Terapia Intensiva) pediátrica, disponibilizamos dois tratamentos e pedimos para a Secretaria Estadual repor nosso estoque. O hospital ainda não é, mas deve virar um ponto estratégico para escorpião”, afirmou.

Ele desmentiu que a Unicamp seja uma “distribuidora” do soro, apontando que a universidade é apenas um ponto de referência, assim como Americana. A informação tem circulado pelo Whatsapp, de acordo com Bucaretchi.

ESTUDA. A Secretaria Estadual de Saúde informou que estuda, de maneira contínua, todos os pontos que podem se tornar referência do soro antiescorpiônico, levando em conta a incidência de casos. Contudo, não negou nem confirmou se Sumaré deve tornar-se um polo de referência. Prefeitura e hospital estadual não se manifestaram.