Ele não falava muito, mas nada fora do normal, diz ex-colega de atirador

Ex-colega de sala do atirador Euler Fernando Grandolpho, a funcionária pública Cristina Pyung Oh conta que ficou chocada e assustada ao perceber a proximidade que tinha com o assassino. Ele se suicidou na tarde desta terça-feira (11), segundo a PM (Polícia Militar), após matar quatro pessoas na Catedral Metropolitana de Campinas, a cerca de 100 km de São Paulo.

“Eu vi as fotos que começaram a circular nas redes sociais e tive a impressão de conhecer o atirador. Quando vi os noticiários e a foto da CNH e o nome… Aí, não tive dúvidas de quem era. Fiquei muito chocada, triste e assustada”, relatou Cristina ao UOL.

A funcionária pública estudou com Grandolpho por 4 anos, entre 1994 e 1998, quando os dois cursaram graduação de Publicidade e Propaganda na Unip. 

Mas o contato de Cristina com Euler começou anos antes, em 1990, durante um curso técnico. Ela fazia curso em Alimentos e, ele, em Processamento de Dados no Cotuca (Colégio Técnico de Campinas). Algumas disciplinas eram conjuntas, o que fez o contato ser superficial. 

“Ele não era dos mais comunicativos e falantes, mas nada fora do normal. Não me lembro dele envolvido em nenhuma confusão “, contou.

Acervo pessoal

Euler Fernando Grandolpho em foto do álbum de formatura do curso de graduação em Publicidade e Propaganda Imagem: Acervo pessoal

Condomínio da família

No fim da tarde da tarde desta terça-feira, no condomínio Parque Lausanne e Colina dos Álamos, na entrada de Valinhos (a 15 km de Campinas), onde Grandolpho morava, alguns residentes ainda não sabiam o que tinha acontecido e ficaram surpresos ao notar que eram vizinhos do autor do ataque. 

Segundo a Polícia Civil, Grandolpho era uma pessoa quieta e reservada. Morava no condomínio com o pai, Elder Sallati Grandolpho, desde 2014, quando a mãe morreu.

 A casa tem três andares com varanda. No início da noite desta terça, havia dois carros estacionados na garagem. Um vigilante do condomínio permanecia parado em frente ao imóvel para afastar curiosos e jornalistas.

 Uma empregada doméstica, que pediu para não ser identificada, contou que conhecia o pai do atirador. Segundo ela, a família parecia comum.

A Polícia ainda investiga qual teria sido a motivação do atirador ao efetuar o ataque na Catedral Metropolitana. Grandolpho não tinha antecedentes criminais.

Guilherme Mazieiro/UOL

Entrada do condomínio Parque Lausanne e Colina dos Álamos, onde vivia Euler Fernando Grandolpho, em Valinhos Imagem: Guilherme Mazieiro/UOL

Passado de empresário e concurseiro

As atividades profissionais de Grandolpho, que se formou publicitário mas jamais trabalhou na área, tampouco apresentam características fora do normal.

Em 1994, ele foi registrado como sócio de uma empresa de prestação de serviços em informática em Campinas. De nome Graphics Computação Gráfica, a empresa tinha um capital social de R$ 5 mil. Seu outro sócio era Elton Luis Grandolpho.

De acordo com o delegado José Henrique Ventura, do Deinter 2 (Departamento de Polícia Judiciária de São Paulo Interior 2), Grandolpho era analista de sistemas.

Pouco menos de dez anos depois, em 2003, Grandolpho resolveu se aventurar em outra área de atuação. Foi quando abriu uma loja de peças e acessórios para motocicletas na região da Ponte Preta, em Campinas. O estabelecimento foi fechado em 2008.

No ano seguinte, em 2009, prestou concurso para a vaga de auxiliar de promotoria no MP-SP (Ministério Público do Estado de São Paulo). Em 2010, fez a prova de mais um concurso público: desta vez, para uma vaga de auxiliar da fiscalização financeira da Secretaria do TCE-SP (Tribunal de Contas do Estado de São Paulo).

Foi convocado para o cargo de auxiliar de promotoria no MPSP em dezembro de 2012 para trabalhar na comarca de Carapicuíba, região metropolitana de São Paulo. Em 2013, recebeu uma gratificação de diligência de 5% sobre o seu salário. Em julho de 2014, pediu a exoneração do cargo. O MPSP não soube informar por qual motivo Grandolpho solicitou a saída da instituição.

Há ainda um registro da apreensão de uma motocicleta no nome de Grandolpho pelo Detran em 2016. De acordo com informações publicadas no Diário Oficial do Estado de São Paulo, Grandolpho seria o proprietário de uma Honda CG 150 Fan Esi que se encontrava no pátio da Serpagui, em Hortolândia, cidade próxima a Campinas.