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Americana tem fim do surto de febre maculosa

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O surto da febre maculosa em Americana, que infectou 11 pessoas e deixou nove mortos em 2018, chegou ao fim. A Vigilância Epidemiológica registrou o último caso positivo em setembro e a última morte em julho. Segundo informações do coordenador Antônio Jorge da Silva Gomes, da Vigilância Ambiental, a conscientização da população sobre o risco de frequentar áreas infectadas e o fim do período mais crítico para a transmissão da doença são fatores que explicam a interrupção das notificações.

Foto: João Carlos Nascimento – O Liberal.JPG São 15 em Americana, uma delas na Avenida dos Bandeirantes; mato será cortado

“Como o número de casos suspeitos vão caindo, e, principalmente, os que chegam são descartados, vem a ideia de que passamos por esse período do surto. Aliado também a condição de período de baixa de carrapatos, ao ciclo natural”, explicou o coordenador.

A maior parte dos casos são registrados entre os meses de junho e novembro, mesmo período no qual há o nascimento de carrapatos, segundo o Ministério da Saúde. Quando eles ainda são menores, as picadas são menos doloridas e é possível ao animal se fixar por mais tempo à pele humana, concluindo a transmissão. Carrapatos adultos provocam uma dor mais intensa antes de conseguirem amortecer a área, o que acaba servindo de alerta e geralmente o contato com a pele é interrompido.

Sobre o risco de novo surto na cidade este ano, o coordenador diz que isso “pode acontecer aqui ou em qualquer lugar”, mas que a Vigilância segue realizando trabalhos. Eles consistem na conscientização para evitar a presença de pessoas nas áreas de risco, orientação sobre a forma correta de se vestir e se cuidar quando a ida até esses locais é necessária e, também, a avaliação acarológica para levantar o índice de infestação de carrapatos.

REGIÃO. O professor Carlos Magno Fortaleza, infectologista da Unesp (Universidade Estadual Paulista) em Botucatu, apontou que o fim das confirmações de casos na cidade pode estar relacionado a uma diminuição no contato da população com a vegetação onde estão o hospedeiro e o carrapato.

Questionado sobre o que pode ter provocado o surto na cidade no ano passado, Fortaleza aposta no aspecto comportamental. “O ponto quente da febre maculosa no Estado de São Paulo é justamente ao redor de Campinas. Começa em Piracicaba e vai até Vinhedo, Pedreira e Atibaia, com uma grande frequência observada. Acredito muito no comportamento da população, observa-se que muitas vezes os surtos acontecem quando uma área infestada é muito frequentada”, avaliou. “Onze casos para uma cidade do tamanho de Campinas já seria muito, para um município com o porte de Americana é absurdo”.

Maioria dos casos aconteceu na mesma região

Americana tem 15 áreas de risco para a transmissão de febre maculosa, com a presença de capivaras e carrapato-estrela. Contudo, o coordenador da Vigilância Ambiental, Antônio Jorge da Silva Gomes, disse que a maioria das contaminações ocorreu em “pesqueiros” não reconhecidos oficialmente na região dos rios Jaguari, Piracicaba e Atibaia.

“Tivemos a infelicidade de muita gente estar no mesmo local onde, com certeza, as capivaras que ali viviam estavam no período da epidemia e deixavam carrapatos contaminados. Basicamente, a grande maioria dos casos aconteceu nessa mesma região, atrás do Museu (Casarão)”, explicou. “É frequente você ver placas nesses locais onde há infestação e carros, motos, embaixo delas. As pessoas estão por ali, mesmo assim”.

Uma das áreas de risco da cidade é a mata ciliar que fica às margens da Avenida dos Bandeirantes. O Ribeirão Quilombo transbordou na semana passada por conta das chuvas, inundando ruas e alagando casas naquela região. Segundo Jorge, não há preocupação de que a situação tenha “espalhado” carrapatos para fora da vegetação, já que a tendência é que eles tenham retornado à área verde após a água baixar.

A reportagem esteve na Avenida dos Bandeirantes e uma das placas do local está encoberta parcialmente pelo mato. A UPJ (Unidade de Praças e Jardins) informou que está na programação o início na segunda-feira do corte de mato.

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