Sob Pressão: Segunda temporada apresenta realidade da corrupção na saúde pública no Brasil (Primeiras Impressões)

Mauricio Fidalgo/Globo

A adrenalina de Plantão Médico, uma pitada da tensão de Grey’s Anatomy, a especialidade de House… Sob Pressão, série médica estrelada por Marjorie Estiano e Júlio Andrade, pega vários elementos de sucesso de produções estrangeiras e adapta com qualidade para a saúde pública brasileira. Inspirado no filme homônimo, ela retrata a difícil rotina dos médicos da emergência de um hospital público no Rio de Janeiro.

O AdoroCinema assistiu a dois episódios da segunda temporada do seriado da Rede Globo — o primeiro, que estreia na próxima terça-feira (08) e já está disponível no Globoplay; e o quarto, que introduz a personagem de Fernanda Torres, Renata, a nova gestora do hospital que se entrega à corrupção.

O formato procedural — ou seja, um caso ou mais por episódio, cujo arco inicia-se e termina no próprio capítulo — é o que segue dando liga para o segundo ano de Sob Pressão. Abordando mais de uma temática, o roteiro de Lucas Paraizo escolhe usar um evento por vez em uma cartela informativa que fecha o episódio. Isso inclui transexualismo, depressão pós-parto e até obesidade, assuntos que são retratados através de diferentes nuances ao longo da produção.

Além disso, a trama fixa, focada no lado pessoal de cada médico — como o relacionamento de Evandro e Carolina, prestes a evoluir para um casamento —, é o que também contribui para segurar a excelência da produção.

Mauricio Fidalgo/Globo

Atual, adequada para o momento eleitoral, Sob Pressão traz como principal objeto desta segunda temporada a corrupção, que começará a ficar clara com a entrada da nova gestora do hospital, Renata (Fernanda Torres), que supostamente levará sua experiência em gerência da saúde particular para a pública.

Entretanto, já no primeiro capítulo, a temática é retratada com uma “doação” de um deputado, que compra uma ambulância para o hospital mas pede que possíveis eleitores seus sejam passados na frente na fila de espera. A série consegue apresentar com bastante realismo a falta de recursos na saúde pública, a burocracia para tentar melhorar isso, o repasse de verba com interesse, em troca de cabo eleitoral; pequenos gestos de corrupção que já entraram sob o guarda-chuva do “jeitinho brasileiro”. Em contrapartida, apresenta também a resistência dos médicos, no papel de Evandro (Júlio Andrade), em aceitar situações como essa.

Mauricio Fidalgo/Globo

A trama investe ainda em cenas externas — uma das novidades desta temporada, mostradas com qualidade pela direção artística de Andrucha Waddington. No episódio de estreia, que começa com um tiroteio em uma comunidade do Rio de Janeiro, um bandido é ferido. Seu amigo, então, busca ajuda, acaba sequestrando Evandro e o obriga a atender o rapaz baleado, em um local despreparado para receber atendimento médico. Enquanto a ação e tensão são bem retratadas em tais cenas, a produção peca um pouco ao tentar passar veracidade nas cenas emotivas, que envolvem os doutores e os bandidos. Tanto que o desfecho é rápido e quase insensível, tratando-se da reação de Evandro e Carolina (Marjorie Estiano). Porém, talvez seja apropriado para mostrar o descaso e a frieza da população perante jovens de classe baixa envolvidos no crime.

Mauricio Fidalgo/Globo

Ao mesmo tempo, tanto o primeiro quanto o quarto capítulo conseguem transitar entre o diagnóstico médico e as histórias pessoais de alguns dos pacientes, retratando o preconceito, o machismo, os problemas sociais que acompanham a pessoa quando entra no hospital.

Sob Pressão vai ao ar todas as terças-feiras, às 22h20, após a novela Segundo Sol.