Ex-chefão da Globo, Boni detona Xuxa, critica informalidade do “JN” e diz que novelas estão ultrapassadas

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Boni fez duras críticas à apresentadora da Record

Em 2015, quando Xuxa Meneghel foi contratada pela Record após quase 30 anos de carreira na Globo, José Bonifácio de Oliveira Sobrinho, o Boni, afirmou na imprensa que a apresentadora era um patrimônio do plim plim, e que sua ida para a emissora dos bispos havia sido um erro. Hoje em dia, o pensamento do ex-todo-poderoso do canal dos Marinhos não é muito diferente.

Em entrevista à revista “Veja”, Boni relacionou o fracasso de Xuxa com a falta de uma boa direção em sua carreira. “Se a Xuxa tinha dificuldade de fazer sucesso na Globo, quanto mais na Record. Ela é boa apresentadora, mas não tem a importância que tinha no passado. Ela perdeu, não por falta de talento, mas por ter sido mal conduzida. É preciso lembrar que os baixinhos cresceram“, alfinetou o diretor.

O empresário também afirmou que a Globo não tem a obrigação de ser eternamente grata aos artistas que lhe deram audiência no passado. “Qual time iria botar o Ronaldo para jogar hoje? Eu convenci o Renato Aragão a parar de fazer o programa, não por falta de talento, mas porque não queria mais vê-lo levando tombo e cadeirada na cabeça”, revelou.

É golpe?

Questionado sobre as críticas que a Globo recebeu durante a cobertura do impeachment da ex presidente Dilma Rousseff, em agosto de 2016, Boni acredita que “chamar a emissora de golpista é como chamar um país inteiro de golpista”, e fez revelações bombásticas sobre a relação da emissora com o ex-presidente Lula.

“O que aconteceu com Dilma foi uma manobra necessária, porque ela estava metendo os pés pelas mãos. Outra coisa: no passado, o Lula cansou de ir na sala do doutor Roberto Marinho. Eu cansei de sentar sozinho com o Lula para conversar sobre questões políticas. Com quem a Globo bateu de frente mesmo foi com o Leonel Brizola porque ele fazia campanha contra a emissora”, narrou o ex-manda-chuva.

A cobertura que a Globo vem fazendo sobre a Lava Jato foi classificada como “impecável” e “cuidadosa” pelo diretor, que, no entanto, acredita que os jornalísticos perdem muito tempo lendo as defesas dos acusados nas operações da Polícia Federal. “É exigência do departamento jurídico para que eles não sejam processados. Por que não coloca tudo numa tela?”, questionou.

Informalidade no jornalismo

A linguagem mais informal que os jornalísticos da Globo vêm adotando nos últimos tempos, especialmente no “Jornal Nacional”, também não agrada Boni. “Me incomoda o fato de um apresentador de jornal, que tem que ter credibilidade, levantar para falar com uma tela. A garota do tempo não está lá, isso é para fazer de conta que os dois estão juntos no estúdio? Ninguém acredita”, disse, em referência aos jornalistas William Bonner e Maria Julia Coutinho.

Humor atual

Bonifácio afirmou que atualmente não acha graça em programas de humor na TV, mas acredita que há humoristas promissores no mercado. “À exceção do Porta dos Fundos , que é muito bom, não há graça no resto porque é amador. É como assistir a um teatro de gente com talento, mas sem texto e direção. Um exemplo: o Marcelo Adnet precisa ser descoberto, ele mesmo não se achou. Dá meia dúzia de redatores bons e ele fará um sucesso imenso. Assim como ele, o humor brasileiro está cheio de talento perdido”, opinou.

Futuro das novelas

De tempos em tempos, surgem discussões sobre o futuro das novelas em relação ao crescimento do interesse popular às séries estrangeiras. Para Boni, os folhetins perdem audiência por não renovar a linguagem. “Aqui as novelas eram longas por uma questão de custo, quanto mais capítulos, mais barato. Esse modelo está obsoleto, temos que roteirizar as novelas. Infelizmente não formamos bons roteiristas. Nos Estados Unidos, todo dia brotam dez sujeitos supertalentosos no mercado que nem conseguem emprego”, disse.

O diretor também acredita que os temas polêmicos não afastam o público conservador se houver cuidado no texto, e aproveitou para fazer citar a abordagem do casal homossexual formado por Fernanda Montenegro e Nathalia Timberg em “Babilônia” (2015) como um exemplo a não ser seguido. “Se você está apaixonado por duas velhinhas que vivem juntas e são homossexuais, o dia que elas se beijarem você vai ficar enternecido, vai sentir que há amor. Mas botar duas velhinhas para se beijar no primeiro capítulo? É uma apelação”, concluiu.

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