Simaria sobre tuberculose: ‘Pensei que era stress’

Depois de quatro meses afastada dos palcos, Simaria, da dupla Simone e Simaria, volta aos palcos na quinta-feira, 9 de agosto, no Espaço das Américas, em São Paulo. Ainda em tratamento por causa de uma grave tuberculose ganglionar — doença que compromete o sistema linfático —, a cantora faz promessas para seu retorno: “Acho que vamos até chorar de tão bonito que vai ser”. O período longe dos palcos, no entanto, ensinou Simaria a ter cautela: “Que fique bem claro: Eu estou voltando, mas com consciência, acompanhamento médico, com compromissos determinados, e só um por dia”.

Confira abaixo a entrevista da dupla Simone e Simaria a VEJA:

Como descobriu que estava doente?

Simaria: Eu vinha me sentindo mais cansada que o normal, e chegou um momento em que não tinha forças para fazer mais nada. Ainda assim, eu pensei que fosse stress ou cansaço — nós estávamos trabalhando muito, fazendo show todos os dias, gravando campanhas publicitárias. Quando eu caí doente para valer e fui internada, meu médico pediu vários exames, e assim descobrimos uma tuberculose ganglionar. Essa é uma doença muito difícil de diagnosticar, silenciosa.

Existe uma diferença entre mulheres e homens na estrada. Você estava se sentindo pressionada a dar tanto de si quanto seus colegas homens dão e, talvez por isso, tenha se descuidado a ponto de ficar doente?

Simaria: Acho que a maior diferença entre os homens e as mulheres na estrada é a questão da praticidade. Para qualquer compromisso, nós, mulheres, temos que nos arrumar, maquiar. Já o homem é mais prático, é só colocar uma camiseta e está pronto. Eu me sentia pressionada, na verdade, pelo compromisso. Se as pessoas consomem nosso trabalho, eu acredito que elas devem receber o melhor que nós podemos dar. Mas nessas, eu acabei esquecendo de mim.

Simone: A mulher é mais frágil. O homem toma uma e está calibrado, faz dois, três shows, e a gente não. Eu e a Simaria, pelo menos, encaramos nossos shows de cara limpa.

“A mulher é mais frágil. O homem toma uma e está calibrado, faz dois, três shows, e a gente não. Eu e a Simaria, pelo menos, encaramos nossos shows de cara limpa.”

Simone, da dupla Simone e Simaria

Simaria, você volta aos palcos agora com o compromisso de se respeitar mais. Isso inclui menos shows?

Simaria: Nós percorremos um caminho muito duro para chegar até aqui. Foram cinco anos como backing vocals do Frank Aguiar, mais um tempo em turnê com uma banda no Nordeste. Chegamos a percorrer 1.000 quilômetros por dia dentro de um ônibus e grávidas de sete meses. Mas esse período acabou. Hoje eu tenho voz ativa sobre o meu trabalho e posso diminuir a quantidade para dar ao meu corpo o cuidado que ele merece. Eu vou lutar com todas as minhas forças para ter isso, nem que para isso eu precise brigar com uns e outros.

Precisou de algum tratamento para voltar a cantar?

Simaria: Na verdade, minha terapia foi passar um tempo com meus filhos.

Ficou com alguma sequela da doença?

Simaria: Eu fiquei com vários nódulos do pescoço, que doem quando eu fico muito cansada. Que fique bem claro: eu estou voltando, mas com consciência, acompanhamento do médico, com compromissos determinados, e só um por dia.

“Chegamos a percorrer 1.000 quilômetros por dia dentro de um ônibus e grávidas de sete meses. Mas esse período acabou, hoje eu tenho voz ativa sobre o meu trabalho.”

Simaria, da dupla Simone e Simaria

O que teremos de novo de Simone e Simaria?

Simaria: O show está praticamente todo modificado, vamos ter uma participação especial do padre Fábio de Melo. Vamos cantar nosso novo sucesso, Um em Um Milhão. Acho que vamos até chorar, porque está tão bonito, eu fiquei chorando só de imaginar.

Um em Um Milhão já estava pronta antes de você ficar doente?

Simaria: Eu gravei doente, sem saber.

Simone: Essa música tem uma coisa muito forte. Até eu, que não fico “dodói” fácil, caí doente no dia da gravação, meu nariz ficou congestionado no dia da gravação e minha voz não saia. Eu pensava: “Não vou conseguir”. Ai eu comecei a falar com Deus, só Ele podia me ajudar naquela hora. Passadas poucas horas, minha voz começou a voltar e eu consegui gravar.