Alan Pagnota saiu de Valinhos e vive como artista circense pelo Brasil

Cirque Berserk – Espetáculo “Inferno”- Londres

Palhaço Farelo e Dupla Mão na Roda são trabalhos realizados por ele

Por Thaís Ferrari

Valorizar a arte e os artistas locais faz parte do processo de contribuir como cidadãos para com a cultura e todas as suas frentes. Em Valinhos, alguns talentos iniciaram carreira pela região e seguiram caminho pelo território nacional e até internacional. O artista circense Alan Pagnota, 39 anos, é um exemplo disso, nasceu em Campinas – por conta das melhores condições da maternidade, mas se considera valinhense. “Meu pai nasceu em Valinhos e minha mãe é natural de Vinhedo. Fui criado na cidade pé de figo desde sempre, porém há oito anos resido no Rio de Janeiro”, relata. Foi folião assíduo das matinês valinhenses e hoje percorre o Brasil e o mundo com apresentações artísticas.

Sua formação inicial é em educação física, e foi na graduação que se interessou pelo mundo das artes junto com um amigo, através de uma oficina extracurricular de artes – técnicas de atuação e arte do palhaço. “Me interessei por esse mundo fantástico do palhaço. Começamos a fazer pequenos eventos e logo estávamos prestando serviços artísticos a empresas também”, comenta. Apesar desse contato, Pagnota conta que sua veia artística vem de seu pai, que era músico em conjuntos de chorinho e samba e desde pequeno o acompanhava tocando. “Por algum tempo vivi da música, tocando em bares e bailes da região de Campinas, com vários músicos amigos. Isso antes de entrar para as artes cênicas”.

Em 2009, em Campinas, surgiu a oportunidade de uma audição artística para a Unicirco – Marcos Frota. “Entre idas e vindas”, o artista entrou para a companhia e permaneceu por sete anos como palhaço e acrobata. Dentro de sua trajetória, viajou o Brasil pela Unicirco e em outros trabalhos paralelos, além de participar do Circuba 2012, festival internacional de circo – integra os circuitos de festivais de circo do mundo, Blue Man Group, em 2013 no Rio de Janeiro, e teatro da Cia na Broadway, uma temporada em Nova Iorque.

A Unicirco trouxe bagagem e novos amigos para Pagnota, dentre eles o artista Rafael Ferreira. Desde o início criaram uma grande amizade, com perspectiva de fazerem algum trabalho juntos. Após seis anos colocaram em prática as ideias, oficializando a Dupla Mão na Roda, estopim de uma série de realizações artísticas. “Em quatro anos de trabalho já viajamos para muitos locais no Brasil e no mundo. Conhecendo e realizando maravilhosos e significativos trabalhos”, define.

Alguns destaques da Dupla Mão na Roda foram no carnaval do Rio de Janeiro em 2016, na cerimônia de encerramento dos Jogos Paralímpicos e no Prêmio Paralímpico no mesmo ano, na turnê na Austrália com grande elenco, em Dubai, neste ano no espetáculo de verão no renomado Hippodrome Circus em Great Yarmouth, Inglaterra, “onde nada mais nada menos Charles Chaplin se apresentou”. Atualmente estão em Londres, no Cirque Berserk. “Trabalhar com meu parceiro só me fez crescer de uma maneira que não imaginava que eu poderia chegar a realizar, aperfeiçoou minha própria criatividade, limitações e superações. Rafael também merecia esse destaque pelo fantástico artista que é! É uma honra e satisfação trabalhar com um amigo como ele.”, completa.

Hoje, dia 10 de dezembro, é comemorado o Dia do Palhaço, uma carreira que requer muita dedicação e amor, além de todo trabalho envolvido no mundo circense, “tem que se cuidar muito bem, com exercícios específicos, treinamentos, ensaios, cuidar da alimentação; vida de atleta é bem parecida, tem que ter vocação [risos] sofre mas recompensa, eu amo o que faço”. Nos palcos, Pagnota é o Palhaço Farelo, considerado seu alter ego, ou seja, o seu segundo eu. “Ser palhaço é libertador e imensamente prazeroso! Levar alegria às pessoas, independente de quem quer que seja, é um privilégio.”, ressalta.

Palhaço Farelo

Apesar de todo lado positivo, há uma luta diária para manter a arte viva, principalmente em um país que grande parte da população não consome cultura. “Vejo muitos espetáculos, até mesmo gratuitos, vazios. O brasileiro não tem o costume como outros países, culturalmente falando, de educar e levar seus filhos ao teatro, circo, ler bons livros, etc. Até mesmo as políticas públicas que deveriam melhorar o acesso à cultura e educação, tanto para quem produz arte quanto para quem quer consumir arte é bem difícil, porque para mim os dois andam juntos, arte é educar! O Brasil está um pouco atrasado em relação a muitos países, digo isso porque vivo isso diariamente”, complementa. Ainda sobre o Dia do Palhaço, Pagnota acredita que é momento de destacar a importância de valorizar a cultura e a arte de uma forma geral.

O trabalho da Dupla Mão na Roda pode ser conferido pelas redes sociais Facebook: duplamaonarodaoficial, Instagram: @duplamaonaroda, YouTube: Dupla Mão na Roda e e-mail: duplamaonaroda@gmail.com. “Viva a arte, viva a vida!”.