Kombucha: conheça a bebida fitness

Chá milenar que está na moda entre a galera fitness é item mais citado na lista dos camarins de quem vai tocar no festival em São Paulo.

Os itens mais pedidos pelos artistas para seus camarins no Lollapalooza não são centenas de toalhas brancas, bebidas alcóolicas ou qualquer outra coisa extravagante. Neste ano, o pedido que mais aparece na lista de exigências é o Kombucha, um chá milenar que está na moda entre a galera fitness.

Strokes, Vance Joy, MØ, GRIZ, Two Door Cinema Club e Chainsmokers estão entre as atrações que pediram a bebida em sua lista de exigências para o camarim no Autódromo de Interlagos. O festival acontece no sábado (25) e domingo.
Há registros de que a bebida era tomada há mais de dois mil anos, na China. Ela é fermentada e costuma fazer parte do cardápio de quem opta por uma alimentação orgânica. A preparação é feita a partir do kombu, uma espécie de alga.

Riscos e benefícios

Os principais microorganismos presentes no chá de Kombucha são Acetobacter xylinum, Acetobacter xylinoides, Acetobacter ketogenum, Saceharomycodes ludwigii, Saccharomycodes apiculatus, Schizosaccharomyces pombe, Zygosaccharomyces, e Saccharomyces cerevisiae. Um laudo técnico realizado pelo Laboratório Aqualab, de Porto Alegre, atesta a qualidade do Kombucha e afirma que o produto está livre de bactérias patogênicas causadoras de gastroenterites, sendo próprio para o consumo.

O médico nutrólogo Durval Ribas Filho, presidente da Associação Brasileira de Nutrologia (Abran), afirma que os benefícios do Kombucha estão no fato de esses microorganismos habitarem a microbiota intestinal. “Tais bactérias são as chamadas bactérias do bem. Se você as tem em grandes quantidades no organismo, tem uma boa imunidade”, afirma.

Ainda segundo Ribas Filho, essas bactérias do bem, quando fermentadas, liberam substâncias que vão agir no núcleo da saciedade, o que ajudaria na perda de peso. “Esses microorganismos também agem melhorando o metabolismo, o que provoca as sensações de bem-estar, energia e disposição.

Os benefícios não eliminam os riscos, claro. Em especial por se tratar de uma cultura de bactérias. “Se o produto mofar e for contaminado por fungos ou bactérias chamadas do mal, pode causar, sim, problemas de saúde.”

A nutricionista e professora universitária Andréa Esquivel, colaboradora da Associação Paulista de Nutrição (Apan), diz que é preciso ter cautela no consumo de forma indiscriminada e sem acompanhamento, pois os compostos da bebida podem interagir com outras substâncias, como medicamentos, causando problemas ou reações adversas indesejadas. “Há relatos de toxicidade no fígado e nos rins após o consumo do chá”, afirma.

Andréa também destaca a questão da manipulação do produto.Ele é feito artesanalmente. “Deve-se ter um critério rígido de assepsia, levar em consideração o ambiente, a qualidade da água, usar vidro e não plástico. Caso contrário, a colônia pode ser contaminada e desenvolver outros fungos e bactérias prejudiciais à saúde.”

Ela reforça que o chá não deve ser consumido por pessoas com baixa imunidade, gestantes, crianças e idosos, pois eles possuem o sistema imunológico mais frágil e suscetível à infecções oportunistas. “Não é porque é natural que não faz mal”, diz. Para ela, o consumo do chá é um modismo que chegou no Brasil que pode ser perigoso. “É leigo indicando e doando a cultura para leigo”.

Anvisa

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) informa que o chá de Kombucha pode ser comercializado no Brasil, mas que não há alegações sobre os benefícios à saúde autorizadas para esse produto. Ainda segundo a agência, os chás são alimentos dispensados de registro e, por serem alimentos, não podem indicar propriedades terapêuticas ou medicamentosas.